Uma consulta feita recentemente ao Committee on Publication Ethics
(Cope), fórum de editores de revistas científicas sobre ética na
pesquisa, evidenciou os desafios de fazer uma avaliação justa em casos
suspeitos de plágio. O editor de um periódico científico, cujas
identidade e origem não foram reveladas, informou ao Cope que começou a
utilizar softwares para detecção de plágio e registrou uma alta
incidência de pequenos trechos ou sequências de frases copiados de
outros artigos. O problema atinge entre 30% e 50% dos manuscritos
submetidos e, em alguns
papers, chega a comprometer a originalidade de até um terço do texto.
Embora pareça assustador, segundo o editor não parece haver má-fé dos
autores, uma vez que as sentenças copiadas são curtas e vêm de mais de
60 fontes diferentes – em um dos casos, chegou a mais de 120. “É como se
a cópia de um trecho contendo o que se acredita ser uma expressão
elegante pudesse compensar a falta de competência linguística do
pesquisador”, escreveu o editor, referindo-se a uma grande quantidade de
autores que não tem o inglês como língua nativa. “De todo modo, não é
satisfatório que um texto contenha um terço de suas passagens inspiradas
em outras fontes. Não é o que se possa considerar uma boa prática de
escrita científica.”
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| Fonte: http://revistapesquisa.fapesp.br/2016/05/19/quando-o-plagio-nao-aparenta-ma-fe/ |
O Cope respondeu à consulta recomendando uma análise caso a caso,
levando em conta as características do texto reciclado. Uma duplicação
na seção de resultados é mais grave do que na introdução ou nos métodos.
Frases copiadas num artigo de revisão, composto por avaliações críticas
da literatura existente, comprometem mais a sua originalidade do que
sentenças duplicadas num
paper tradicional, que traz resultados
inéditos. Segundo o fórum, o editor deve pedir explicações ao autor
caso falte atribuição de autoria em muitos trechos do artigo e tomar
atitudes mais drásticas se as ideias defendidas pelo autor pertencerem a
outras pessoas.
“O editor deve seguir checando todos os manuscritos usando softwares
antiplágio e rejeitar os artigos com sobreposição de textos moderada ou
grande”, sugere o Cope. A instituição a que o autor pertence deve ser
alertada se houver, de fato, uma suspeita de má conduta ou se o editor
colher evidências de que o pesquisador trabalha num ambiente que não
valoriza as boas práticas científicas.“Caso os autores sejam jovens
pesquisadores, o editor deve pedir a eles para reescrever as passagens
copiadas e submeter de novo o artigo”, recomenda o Cope.
Fonte:
Revista Pesquisa Fapesp